terça-feira, maio 23, 2006

João Garcia no Kangchenjunga

Já por aqui tinha falado que o João Garcia, com o o apoio do Millennium BCP, está a desenvolver um projecto que visa conquistar todos os 14 cumes do planeta com mais de 8000m. Ontem conquistou o Kangchenjunga, a terceira montanha mais alta do mundo e a sétima com mais de 8000m no currículo do João Garcia. Deixo-vos um post retirado do blog da expedição onde o jornalista da SIC Aurélio Faria relata mais este feito do Himalaista Português:

“Que horas eram, Ivan?..” Em espanhol, João Garcia pergunta ao alpinista equatoriano as horas a que atingiu o cume do Kangchenjunga. “Eram 5 horas e 6 minutos!”. A resposta pronta, também em espanhol, é bem perceptível, na conversa por telefone satélite, estabelecida com Lisboa, a partir do Campo 4. Era já noite dentro, - 23 horas, hora nepalesa, fim da tarde em Portugal -, quando João chegou exausto à tenda montada aos 7700 metros e, depois de quase 24 horas de esforço ininterrupto na chamada “zona da morte”, se meteu no saco-cama para comunicar a conquista da terceira montanha mais alta do mundo. O cume do Kangchenjunga, que no dialecto tibetano do Sikkim significa a Montanha dos 5 Tesouros das Neves Eternas, foi alcançado sem oxigénio artificial nem carregadores de altitude; como companheiro de cordada, o português, que contava inicialmente realizar a escalada “a solo”, teve o experiente Ivan Vallejo, o alpinista do Equador que já subiu 12 dos 14 cumes de 8000m. “Agora já acredito e percebo quando me diziam que esta era a montanha mais dificil de 8 mil metros”. Com a respiração ofegante, João descreve as dificeis condições da ascensão final desde os 7700 metros até ao cume de 8856 metros. “O tempo estava bom, as condições meteorológicas foram favoráveis, tinha neve até ao tornozelo, mas foi ‘supertécnico’ até à última, é uma escalada mista, com muitas passagens de rocha e necessidade de fixar muitas cordas...” Com o Kangchenjunga, alcançado esta segunda-feira, 22 de Maio de 2006, João Garcia conquistou o seu sétimo cume de 8 mil metros - e só existem 14 no mundo inteiro - e confirmou o seu valor como o maior alpinista português.

Ligações interessantes:
Millennium BCP - Expedição ao Kangchenjunga
Blog da Expedição ao Kangchenjunga

segunda-feira, maio 22, 2006

João Campos

Tenho andado extremamente atarefado e não era certamente com esta notícia que eu desejava voltava a escrever no Blog mas como até tenho uma série de coisas de que vos espero falar muito em breve vou falar um pouco no João.

O João era um companheiro da Casa do Benfica lá do Fundão, faleceu fez ontem uma semana enquanto treinava ciclismo. Na zona da Golegã, foi vítima de atropelamento. Os pormenores da tragédia não os conheço e mesmo que os conhecesse não os exploraria, não é essa a forma que gosto de recordar as pessoas por quem tenho algum carinho ou admiração.

Há uma expressão que me assalta a cabeça nesta alturas: "Morrem cedo aqueles que os Deuses amam"

O João era seguramente um daqueles a quem os Deuses amam! Também... só podiam... um tipo completamente simples, sem caganças, um tipo que lutou a pulso para conquistar tudo quanto levou deste mundo. Admiro o João e dele guardo uma séries de pequenas lições. Daquelas coisas muito simples que apenas os grandes homens são capazes de nos ensinar.

O João ficou hospedado comigo, uma semana na Patagónia em 2005, fomos ali para disputar o Campeonato do Mundo GreenCup (Duatlo de Montanha). Nesses dias fiquei a conhecer melhor aquele tipo, que era meu companheiro de equipa no Fundão, mas a quem conhecia pouco mais que a simpatia e um grande talento para o desporto sobretudo para correr forte. Com umas 8 horas de fuso horário o João fazia todo o seu dia em função das horas portugueses para saber a que horas poderia ligar à Carla (a sua esposa), aos Pais mas sobretudo à sua filha. Era impressionante a maneira entusiasta como o João falava com os seus. Claro que toda a gente gosta dos seus mas isto é como a Fé, todos a têm mas uns são mais praticantes que outros e o João era mesmo praticante. Daqueles mesmo a sério!! Qualquer família que integre alguém com aquele empenho em partilhar tudo e mais alguma coisa, só pode ser muito unida e solidária. Isto eu aprendi com o João.

O outro coisa deliciosa no João eram os seus comentários no final das provas. Parecia que ficava tomado pelo soro da verdade e fazia comentários fantásticos dos quais eu destaco um, feito no Cartaxo logo após ter conquistado a medalha de bronze no Nacional de Duatlo e que vou partilhar connvosco:

Nesse manhã eu abordei o João a dizendo-lhe que devia ter calma e inteligência na gestão da sua prova, que não devia ser ele a rebocar os grupos no ciclismo já essa responsabilidade era doutros que não dele. Fiz isto porque o João era daqueles tipos que corria de peito aberto, com todo o seu potencial não guardava nada, dava sempre tudo. Enquanto ali houvesse gasolina aquele acelerador estava a fundo!! O João fez uma prova brilhante. Correu na frente e quando no ciclismo estava tudo a olhar uns para os outros ele atacou e foi embora sozinho entrando isolado na transição. Apesar de apanhado pelo Alcino Serras e pelo Rui Belo na corrida final segurou a medalha de bronze e no final lá dizia ao micro de forma apaixonada (o peito estava sempre bem aberto): "Eu sou um lutador, não guardo nunca nada para depois, se posso...ataco!! Sou assim desde miúdo. SOU UM LUTADOR E VOU MORRER A LUTAR"

É esta forma apaixonada de estar na vida que eu guardo do Chiapa (era que nos tratávamos depois daquela semana na Argentina). Vou ter saudades de ir para o Fundão e à passagem por Abrantes ligar ao Chiapa que me convidava logo para ir jantar com ele. Vou ter saudades de ouvir as declarações do João mas sobretudo vou ter saudades das lições de humildade que ele dava a todos quantos com ele privavam.


Mas como ontem diziam na homenagem que lhe foi feita no Duatlo de Grândola "Só se morre quando se morre na memória dos Homens". Fica aqui o meu contributo para que a memória do João perdure no tempo. Eu não o vou esquecer!!

sexta-feira, maio 12, 2006

TOU PIOR QUE ESTRAGADO

Quebro quase um mês de silêncio só para dizer que tou pior que estragado. Pu** da mania de fazer tudo enquanto conduzo, deixei voar o cabr*o do talão da CREL e tive de arrotar com mais de 40€ para o percurso entre Queluz e Pontinha...um grande percurso....sem nenhuma saída pelo meio... que o me custou o mesmo que ter vindo de Grijó...

Se apanho a gaja que estava na portagem....

quarta-feira, abril 26, 2006

Paris Marathon.2

Em primeiro lugar quero pedir desculpa ao meu vasto auditório pela demora em chegar ao ponto_dois da cena Parisiense_Ó_Maratonal. Passemos pois à prática!!! (só um segundinho que vou ali rever em que ponto fiquei [...] já está).

Eu, pleno de força. Com o Salvador armado em Futre ali atrás

Na manhã da dita lá levantamos o odro da cama bem cedinho, tomamos o pequeno almoço no quarto e rumamos à zona do Arco do Triunfo. Haviamos combinado com o Sérgio Santos à porta de um MacDonalds, acabamos por ir para outro. Com sorte, no meio confusão, acabamos por o encontrar a aquecer numa rua vizinha e lá trotamos um pouco antes de nos colocarmos na primeira fila (logo após os corredores de elite).

À hora marcada soou o tiro do canhão e fizemo-nos Champs Élisées abaixo. Fui extremamente conservador nos primeiros Km's. Como durante a preparação não tive oportunidade de fazer os treinos longos que devia estava muito céptico em conseguir o andamento de 4' por Km até ao final da prova (como o Mister havia sugerido). Assim, levantei um tudo nada o pé e fui andando a 4'06'' e até mais lento que isso já que nos Km's iniciais perdi muito com a quantidade de pares de sapatilhas que se cruzavam com as minhas. Na cabeça levava bem frescas as sensações de estoiro que sofri os 28Km da Maratona de Sevilha em 2005 pelo que, desta vez, encarei a coisa como sendo uma prova de 12Km com 30 de lançamento. Passei aos 10Km em 41'30'' e aos 15Km passei em 1.02'.05''. Ao longo deste tempo fui desfrutando ao máximo da prova, das bandas de percursão e metais que haviam a cada 2 km's. A passagem à meia-maratona (1:27'15'') foi das coisas mais giras que tive no desporto. Havia imenso público (em generosa euforia), que nos fechavam a passagem deixando apenas um metro para o pelotão de atletas passar. Confesso que saí da meia arrepiado e com pele de galinha. Foi fabuloso.

Ainda bem disposto, perto do Km 25

Lá continuei de mansinho, a curtir a prova (esta é mesmo a melhor forma de descrever as sensações) e procurando manter-me bem para os últimos 12Km. Fiz questão de consumir bastante gel para não ter nenhuma quebra. Meti aos 6, aos 15, 22.5, aos 30, 35 e 40.

A partir da meia, como ia ainda muito bem fui saltando de grupo em grupo já que estava a andar alguns segundos mais rápido. Entre o Km 27 e o 29 o percurso passava por 4 túneis, bem perto da Torre Eiffel, nomeadamente o Tunel D'Alma onde morreu a princesa Diana. Nos topos desses túneis era possivel ver até mais de 1km para a frente. Ficava parvo, após 2 horas de prova havia ainda um pelotão compacto à minha frente. É impressionante a quantidade de pessoal que corre para baixar das 3 horas em Paris.

A partir dos 30 é que me decidi a entrar mentalmente dentro da prova e sofrer um bocadinho. Procurei acelerar. Até aos 35Km, apesar de já sentir o peso dos Km's nas pernas estava ainda fresco e com vontade de andar mais rápido.

No abastecimento dos 35Km tive a infeliz ideia de pensar: "já só faltam 7, vou-me molhar com uma esponja e fazer estes últimos a dar bem no osso". Assim que me molhei senti um belo arrepio seguido de uma marretada na cabeça que me vem a afectar esta zona toda (estou a apontar para as pernas). Dai até ao final foi um suplicio, só queria não andar mais lento que os 4'30'' por Km mas nem isso consegui nos Km 36 e 39. A última parte da prova é feita no Bosque de Bolonha e tem alguns retornos que quebram imenso o andamento, principalmente aos estorininhos que, como eu já levavam dois paus no lugar de pernas. Como senão bastasse ainda tive de aturar um indivíduo (adiante designado por bigodes) colado a mim que a cada bufadela respiratória dizia em tom sofrego "allez...!", mais uma bufadela e "allez...!" e mais outra e "allez...!". Já não o ouvia! Pedi-lhe por favor que calasse a bragana (tive de pedir em Português da Beira, com um ponto final do carvalho e tratando o bigodes em causa por "oh bigodes").

Finalmente a avenida Foch, onde estava a meta. A sensação final não teve nada que ver com a de Sevilha, não sei se por não ter tido a oportunidade de correr sozinho e logo não ter posto a cabeça deambular por outro lados, foi muito diferente! Ainda assim foi gratificante chegar à meta.

Maratona de Paris 2006

Acho que cheguei à meta em bom estado, conseguia caminhar bem. Sinto que durante os 30Km iniciais estive muito longe de dar o que podia mas preferi não arriscar. Não foi grande táctica já que no final estava na mesma roto. Mas tudo bem. Foi mais uma experiência fantástica.

Os meus parceiros de Hotel foram embora logo após a prova e fiquei sozinho na fantástica zona do Pigalle. Depois de uma bela tarde refastelado a ver o Paris-Roubaix fui juntar com outro pessoal do nosso grupo que também tinham ficado para segunda. Com eles veio o Luís Jesus, que foi a estrela "branca" da maratona de Paris, foi 4º mas com um fantástico 2h08'55''. Foi um jantar bem regadinho e muito agradável ali mesmo à beirinha da frutaria onde costumava assumar a Amélie Poulain. A ela não a vi...


Ah! já quase me esquecia! O meu tempo? 2h57'45'' Como vêm... O tempo conta e a malta até gosta de correr rápido mas dimensão humana tem muito mais piada!!!

quarta-feira, abril 12, 2006

Paris Marathon.1

É fantástico como o mesmo desafio pode ser tão diferente em momentos distintos. Pensava eu que a Maratona de Paris teria uma estória algo semelhante à de Sevilha… Não poderia estar mais enganado, quase tudo foi diferente: a cidade, a dinâmica, o público, as sensações, o km onde me montaram o “muro”, o tempo. Quase tudo, menos o tempo final, esse divergiu muito pouco.

Mas vamos lá a pormenores.

Porque me atrasei na marcação das viagens acabei por ter viajar sozinho: os parceiros Fernando Carmo, Bruno Salvador e Sérgio Santos (e respectiva dama) viajaram via Air-France na quinta-feira à tarde enquanto eu o fiz sozinho no mesmo dia à hora de almoço. O plano passava por eu esperar pelo resto do grupo no Aeroporto Charles de Gaulle e depois rumarmos ao Hotel com o carro que alugaríamos. Já só na porta de embarque é que fiquei a saber que ia para um outro aeroporto, uma coisa qualquer chamada chamada de Orly… lá pensei: “ah! Tá bom…como eu domino bué sou o gajo indicado andar à solta pelos transportes de Paris, rumo a um Hotel situado numa zona qualquer de que só sei que fica a 2,5km da partida. Mas como até curto perder-me por ai e assim ficar a conhecer melhor a zonas que visito lá fiz uns telefonemas de emergência, saquei a morada do hotel e a dica de que há um comboio que nos leva de Orly para o centro de Paris. Chegado a Orly lá me extrairam 11€ para sentar o cú no RER (o tal comboio), fechei o olho esquerdo tipo mira, apontei para a saída do Notre Damme (soou-me centro de Paris) e ala que se fazia tarde. A meia da viagem e de umas medições mais exactas sobre o gráfico das linhas férreas que estava sobre a porta de saída do metro/comboio/automotora e decidi-me por outra saída: Halle qualquer coisa. A coisa levou imenso tempo e apanhei a hora de ponta, tendo a certa altura chegado a pensar que a senhora com acento checo-turco com o seu salto alto apoiado no meu pé estaria comprada pelo Salvador para me lesionar! Tive ainda a oportunidade de presenciar um ritual de acasalamento por parte de um jovem magrebino que fazia umas cenas esquisitas com os lábios (assim tipo o gajo da Martini) a cada fêmea que passava perto dele. Após a cena labial o espécimen manobrava o tronco (revestido por uma camisa de cor rosa com apenas uma abertura no topo para deixar respirar os fios em metal não precioso que lhe ornamentavam o pescoço) para se colocar cara a cara com a fêmea e por detrás dos óculos escuros lançar um olhar que suponho ser letal. Lindo!
Retomando o pouca-terra, pouca-terra: lá saí na sei bem onde. Era um Centro Comercial. Vi-me e desejei-me para encontrar a saída daquilo, lá a encontrei, saquei um azimute à sorte e pus-me a caminho. Ao me cruzar com uma mulher polícia achei que estava na altura de exibir o meu francês matador e perguntar pela rua do hotel. Lá me deu umas dicas e a partir dai a coisa foi muito simples.

No Hotel esperei pelo resto do pessoal e os restantes dias foram passados entre passeios de automóvel, visita à Expo da Maratona onde levantámos os dorsais e fizemos uma corrida na passadeira Reebok que me deixou a saber que preciso de usar palmilhas anatómicas porque tenho a passada bem torcida. Demos umas voltas por Paris mas sempre de carro para não queimar muito as canetas. De véspera, como tínhamos de rolar alguns minutos decidimos ir à corrida do pequeno-almoço (5km). Foi muito divertida: havia por lá umas miúdas giras, uma banda de metais muito castiça e muito pessoal bem animado. Valeu! O resto do tempo foi passado a olhar pró tecto do hotel e encher o depósito com muito hidratos de carbono.
Passem por cá mais logo que já deve haver mais alguns pormenores...

quinta-feira, abril 06, 2006

A caminho de Paris

É já muito tarde e eu ainda estou no trabalho. Ainda assim, não queria viajar para Paris sem aqui dar conta disso. É já amanhã, pelas 13.05 que arranco para a capital Francesa para no domingo lá correr a Maratona. Portanto...aqueles que leram nos jornais desportivos "Luís Jesus, o único português em Paris" desenganem-se porque eu (e só no nosso grupo vamos 6) também vou e também tenho dorsal preferencial.... e mais! ... se me dão corda ainda digo que vou dar com o pé de cabra ao dito Jesus.

Fui obrigado a cortar nalguns treinos longos o que me deixa algumas dúvidas sobre o meu desempenho na Maratona. Seja como for, estou mais consistente e os quilómetros que trago nas pernas devem ser suficientes para chegar ao final em condições de contar a estória da minha segunda maratona. Sei que vai estar frio (até nem me dou mal com isso) e que os estudantes franceses prometeram algumas acções de protesto tanto para a Maratona como para o Paris-Roubaix (prova da Taça do Mundo de Ciclismo).

No que toca a tempos a minha aposta vai para as 2h54. Não é muito nem é pouco. Penso que se tiver juizo e "me cortar" nos primeiros 28-30km consigo chegar lá.

A todos quantos me deram aquelas pancadas nas costas de alento deixo o meu agradecimento e a promessa de dar o melhor. Estou desejoso de chegar ao Km 40 e sentir uma vez mais as sensações de que senti em Sevilha em 2005. Ali compreendi realmente uma expressão que o Joaquim Gomes usa frequentemente: "Vai-se ali a falar com Deus". É essa a sensação que guardo dos dois últimos quilómetros daquela prova.

Mas bom... faz-se tarde e não vou contar já tudo, depois hei-de falar-vos mais detalhadamente sobre esse estado que só se atinge quando "se forçam os limites".

Xi-coração a tutti.

Ah! se quiserem alguma noticia a Sara Lambs e o meu Pai recebem sms's com os meus splits. Para além disso a Eurosport transmite a prova, procurem-me lá no meu dos outros mais de 35000 doidinhos.

sexta-feira, março 10, 2006

MáKiNa!!!

A Vanessa ganhou a malta até já está habituada mas escrevo é para deixar uma mensagem a um gajo que admiro imenso e que tenho o previlégio de ter como amigo: Bruno Pais. Mais um pódio numa Taça do Mundo (Aqaba, Jordânia).


Bruno Pais, bronze em Aqaba

Mais dados em www.triathlon.org

terça-feira, março 07, 2006

Coisa Ruim

{o ambiente é de música com batidas violentas e um cheiro a tribalismo}
Há coisa de um ano a Nelinha das Lãs tinha-se queixado que tinham desaparecido um conjunto de lençois da minha cama do Fundão. Nas lides deu volta a tudo e mais alguma e não deu com eles. Perguntava: "oh David Pedro mas tu não os terás levado por engano para Coimbra?" e eu: "Não minha mãe, não faço puto ideia onde esteja essa tralha. Sabes que eu só durmo neles, não os lavo nem os passo a ferro. Para essa tarefa não confio e mais ninguém que não tu, sabe-lo bem!!!".

{guitarradas estranhas e sem nexo, lêr rápido}
É inverno. Regresso de Coimbra são já umas 21.30, chego a casa. A Nelinha das Lãs deixou-me a comida em cima da mesa da cozinha. Mando-a para dentro do estômago a 200 Km/h e zarpo porta fora. Vou ter com o pessoal ao Costa (também conhecido por Bar do Fodinhas na Vidraça). Ao Absinto nº10 decidimos dar um salto à Quinta do Caçula fazer um som. Uns grunhidos nas guitarras, duas minis, umas bancadas na tarola, mais duas minis, uns grunhidos ao micro, mais duas minis e por ai em diante até às tantas da matina. No dia seguinte venho a saber que foi o Xixa Sainz que deu boleia naquela noite (eu até sabia, só não me recordava...). Caio na cama e adormeço. Vestido? Não me lembro...

{violinos bem agudos. aumenta o batimento cardiaco}
São agora 8.30. do dia a seguir a ontem. O ambiente do quarto tresanda a Alambique. A Nelinha das Lãs - cega - acredita que eu estou apenas cansado e aquele cheiro a alcool deve ser do perfume esquisito que eu agora uso. Assim que abre a porta solta um grito de morte seguido de réplicas ao ritmo da sua respiração afogante. Acordo com um pulo. A primeira frase que consigo digerir soava a "os lençois, os lençois que desapareceram estão ali, os lençois". Tinha acontecido algo de muito muito estranho. Os lençois, os tais, estavam imaculadamente passados e engomados postos sobre o edredon ao longo das minhas pernas, logo abaixo dos joelhos... Quem os terá lá posto?

(estória real)

sexta-feira, março 03, 2006

Update de Carnaval

Isto de facto não tem estado fácil para deixar por aqui muitos textos. Mas também...nunca esteve! O treino para a Maratona de Paris lá vai indo, assim muito muito devagarinho. Serão muitos e diversos os motivos que me fazem sentir que este ano vou estar pior preparado do que estive há um ano atrás para a Maratona de Sevilha. Neste contexto de preparação para Paris corri no domingo passado os 20 Km de Cascais.

Foto emprestada pela Fotodesporto

Cheguei a Cascais completamente morto, de tal forma que só perto dos 8km é que comecei a sentir-me melhor. Acabei com um tempo de 1h17m20. Dá uma média 3'52'' por km. Não é bom nem é mau, antes pelo contrário. Quem andou muito bem foi o meu vizinho Fernando Carmo. Parece-me que ele está bem melhor preparado que eu para Paris. Seja como fôr, tenho esperança que ele se mantenha fiel a si próprio e estoire como fez nos dois últimos Triatlos Longos que o vi fazer (eheheheh, Fernando: é só pa picar...)
No próximo fim-de-semana volto a competir na prova do Benfica. É uma prova de 10km onde não conto andar nada de especial mas já que corro pela Casa do Benfica no Fundão vou lá juntar-me ao resto do pessoal. Vou aproveitar para fazer um treino longo com alguns km's a Marathon Pace (4'/km). Espero já me sentir um pouco mais forte que os últimos dias.

Em anos anteriores tenho passado o Carnaval pelas montanhas. Este ano, infelizmente, à última hora fui forçado a cancelar a ida a Gredos. Segundo me contou o pessoal e li no blog do Zé Maria aquilo estava verdadeitamente tempestuoso... ainda com mais água na boca fico por saber que aquilo esteve agreste. É esse o tempo de ambiente que mais pica me dá!!

Mantendo esta onda do diário só me falta contar que ainda que ainda consegui passar uma noite e dois meios dias no Vale D'el Rei ali para os lados do Lagoa (Algarve) muito agradáveis numa casinha de quinta fabulosa, com uma lareira melhor e companhia a condizer (na comida eu nem falo para não vos fazer inveja).

Beijos e abraços

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Jean Cristophe Lafaille (1965 - 2006)

Tenho andado algo a distante das notícias de algum tempo a esta parte. Ontem, quando fui pôr a escrita em dia fiquei chocado. O Jean Cristophe Lafaille está dado como desaparecido desde o dia 29 de Janeiro. O desaparecimento deste pequeno francês (1,60m), por quem tenho grande admiração, é um choque para mim. Os menos familiarizados com a temática das montanhas poderão ser levados a pensar que ainda há hipótese de ele estar vivo, mas a realidade é outra. Não há condições para o ser humano sobreviver mais que 4-5 dias (estou a ser optimista) acima dos 7500 metros.
O Lafaille desapareceu quando estava a 7600 metros, na véspera do assalto final ao cume do Makalu, o seu 12º pico com mais de 8000 metros. O seu objectivo era sair na quinta-feira à noite e chegar ao topo na sexta-feira. O contacto que estava previsto para essa sexta-feira nunca veio a acontecer. A sua equipa pensou que o silêncio se devia à falta de baterias no telefone via satélite que tinha com ele. Sem notícias, a sua família conseguiu reunir os meios necessários para fazer buscas aéreas no domingo mas estas revelaram-se infrutíferas. No dia 4 de Fevereiro a sua esposa sobrevoou o Makalu e despediu-se em nome dos seus filhos Tom e Jeremi.

Foto retirada de www.jclafaille.com

Lafaille tinha como objectivo a conquista dos 14 cumes com mais de 8000 metros (o mesmo que o João Garcia agora se propõe fazer) mas de uma forma muito especial. O francês progredia sozinho, sempre de Inverno, preferencialmente por vias não convencionais e em estilo Alpino. Isto é, em vez de usar uma logística pesada e colocar diversos campos de altitude Lafaille optava por subir levando consigo a menor quantidade de equipamento possível e sempre sem recorrer a oxigénio artificial (tal como o J.Garcia).

Aqui fica uma, apesar de tudo pequena, lista dos seus feitos:

  • 1992 : Primeira experiência nos Himalaias. Tenta com Pierre Beghin escalar a face sul do Annapurna (8091 m). Pierre Beghin sofre uma queda mortal a 7000 m, levando com ele todo o material. Lafaille levou 5 dias para descer sozinho com um braço partido após ter sido atingido por uma pedra.
  • 1993 : Primeira ascensão de uma montanha com mais de 8000 metros sem uso de oxigénio, o Cho Oyu (8201 m), pela via Polonesa.
  • 1994 : Inauguração em solitário e sem oxigénio de uma nova via na face norte do Shishapangma (8027 m). Considerado o maior feito nos Himalaias daquele ano, pela qual ele receberia o Cristal d’Or da Federação francesa de montanha e escalada.
  • 1995 : Tentativa em solitário no pilar Bonnington na face sul do Annapurna.
  • 1996 : Ascensão em solitário, sem oxigénio e em menos de quatro dias, do Gasherbrum II (8035 m) e do Gasherbrum I (8068 m). Inauguração de uma nova via na face nordeste do Gasherbrum I.
  • 1997 : Ascensão da face oeste do Lhotse (8516 m) sem oxigénio. Tentativa de ascensão do Dhaulagiri (8167 m) no Inverno e em solitário. Devido à quantidade de neve, Lafaille não chegou nem ao campo de base.
  • 1998 : Lafaille retorna pela terceira vez à face sul do Annapurna. Num acidente, um sherpa desaparece. A expedição é cancelada.
  • 2000 : primeira ascensão solitária da face norte direta do Manaslu (8163 m). Atinge o topo em 5 de maio.
  • 2001 : Primeira expedição francesa pela via Cesen no segundo mais alto pico do mundo, o K2 (8611 m), sem oxigénio (chegada no topo em 22 de julho).
  • 2002 : Primeira mundial da aresta leste do Annapurna (8091 m) ida e volta (chegada no topo em 16 de maio às 10h da manhã) sem oxigénio.
  • 2003 : Ascensão sem oxigénio de três picos com mais de 8000 metros num período de dois meses: o Dhaulagiri (8167 m) em solitário, o Nanga Parbat (8126 m) (onde abriu uma nova via, Tom) e o Broad Peak (8047 m).
  • 2004 : Primeira ascensão invernal do Shishapangma (8027 m) em solitário, sem oxigénio. Ele inaugura igualmente uma variante com cerca de 1000 m. Essa foi a primeira ascensão em solitário de um pico com mais de 8000 m no Inverno.

Faltava-lhe o Makalu (8 463 m), o Everest (8 850 m) e o Kangchenjunga (8 586 m) para se tornar o primeiro francês a escalar todas as 14 montanhas com mais de 8000 m.

Fontes:
Desnivel.com

Site pessoal do JC Lafaille

Wikipedia sobre JC Lafaille

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Dean Karnazes

O Mister Santos emprestou-me na semana passada um livro deste Dean Karnazes. Pela descrição que me foi feita fiquei naquela: "bom...deixa lá ler qualquer coisa deste maluquinho que passa noites inteiras a correr e que a meio da noite encomenda pizzas para 6 e as despacha enquanto corre".
Li fui lendo a estória do artista e fiquei deveras impressionado com os relatos que ele faz, vejam só que ele já correu 226 milhas (são só 10 maratonas de seguida) mas que agora se propõe a correr 300 (milhas). Mais impressionado fiquei com o facto de, desde que se tornou conhecido, correr por caridade e ser extremamente bem sucedido nos seus propósitos. As crianças que ele se tem disposto a ajudar têm tido a sorte de ver a sua situação resolvida.
O Dean Karnazes está muito longe de ser um lunático que só quer correr, tipo Forrest Gump. Não, é um indivíduo bem sucedido em termos profissionais que tinha tudo para ser feliz mas que sentiu que lhe faltava um desafio, um combustível para o dia-a-dia e descobriu as longas corridas como forma de escape. O texto é feliz e o Dean consegue expressar muito bem o que sente quando ultrapassa os obstáculos associados às maratonas no Polo Sul ou às 160 milhas no Death Valley. O livro é extremamente inspirador. Devo mesmo dizer que partilho muitos dos valores e ideias que ele advoga.

Dean, rapaz: ganhaste a minha simpatia e admiração!!!

No site do Dean Karnakes podem encontrar imagens do artista (isto é importante para as miúdas porque ele foi considerado um dos gajos com mais pinta pelas revistas das gajas) e uma entrevista com o David Letterman. Passem por lá!!!

The Meatrix


Um filme muito muito giro e interessante!
Arranjei aqui alguma motivação mais para não comer carne.
Espreitem!

sexta-feira, janeiro 27, 2006

As Marias

Ontem, um pouco por acaso, fui parar ao Bar do Teatro a Barraca e tive a sorte de assistir a um espectáculo da Mariana Abrunheiro e do Ruben Alves. O nome é "As Marias de Mariana Abrunheiro". Penso que o texto do blog do bar descreve muito bem o espectáculo:

"Mariana Abrunheiro é um encanto de rapariga, é uma talentosíssima cantora que decidiu catrapiscar um pianista ingénuo, porém plenipotenciário no que toca ao à vontade com as teclas.
Mariana falou a Ruben Alves, o tal pianista, no seu mais querido projecto actual, Marias, um cancioneiro afectivóh-universalista que, segundo Camille Paglia "partindo de canções onde o nome Maria é citado, nos oferece um retrato diverso da condição feminina, sem ser feminista, e vice-versa" in Break, Blow, Burn.
Resumindo:
Canções portuguesas, francesas, brasileiras, peruanas, norte-americanas, entre outras, de compositores como Tom Jobim, Zeca Medeiros, Chico Buarque, José Afonso, Leonard Bernstein, um piano, Ruben Alves, uma voz, Mariana Abrunheiro, e um esplendoroso concerto em perspectiva."

A todos os que lá não estiveram: TEMOS PENA...

terça-feira, janeiro 24, 2006

Monstros da Maratona

É este o nome de guerra que o nosso mister Santos deu ao nosso grupo de Maratononistas. Talvez o nome tenha a ver com o facto de sermos todos bonitos como o camandro...ou então pode ter a ver com o facto de haver no grupo uns quantos artistas que sejam uns verdadeiros animais no que toca a correr maratonas, não sei!
O que sei é no domingo passado lá nos juntamos em casa do mister para ele nos fazer umas medições às pregas adiposas, fazer umas contas e dizer-nos a percentagem de gordura que cada um de nós carrega sugerindo-nos o peso adequado. Uma vez mais o pudor impede-me de revelar os meus valores mas posso dizer que fui o vencedor absoluto. GANHEI!!! "Só" tenho de perder 4,47 kg em dois meses. Não tá nada mal, hein?! Se virmos que eu, nos meus tempos de estudante profissional e cliente assíduo do Buraco Negro (Coimbra), já pesei 94 kgs, isto vai ser um verdadeiro passeio... ou então não...


Foto do Rui Campos

A semana passada foi algo dura devido ao problema no pé que as Adidas Supernova me proporcionaram. Seja como fôr lá consegui correr 92km, o que para semana de regeneração até não foi mau de todo. O menu desta semana inclui 108km, com séries de 1200 na quarta. No domingo está previsto fazermos uma meia-maratona. No entanto, como as meis disponíveis são muto longe acho que me fico pelo regional de corta-mato de Castelo Branco.

Vão passando que eu vou por aqui contando como corre o caminho para Paris (9 de Abril)

Beijos e abraços

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Isto nem está bom nem está mau

É uma expressão que se pode aplicar aos vários dominios da minha existência, a saber:

  1. o andamento para a Maratona de Paris -> "não está bom nem está mau..."
  2. a mega borrega que tenho no pé direito graças a umas spataculares Adidas Super Nova -> "não está bom nem está mau..."
  3. gajas -> "não está bom nem está mau..."
  4. a minha fortuna -> "não está bom nem está mau..."
  5. as eleições presidênciais. O Cavaco é artificial e está muito equivocado sobre a suas competições como PR. Até tenho de mudar de canal quando ele aparece a tentar ser fofinho com o povo. O Soares está "agressivão" à força toda! Alguém viu o gajo no debate com o Cavaco? Eu acho que lhe vi ali baba de raiva... Os outros 3 têm a minha simpatia, embora ache que o Louçã está a exagerar na forma como rebate todas as opções de quem governa ou governou. O gajo tem de entender que quem é responsável e está no poder tem de tomar opções não muito populares. De resto, o Alegre parece-me lúcido e capaz de tomar decisões dificeis. -> "não está bom nem está mau..."

E assim vai a coisa. Esta manhã na pista as séries de 300 foram do pior... O pudor impede-me de revelar o brutal andamento que consegui impôr no tartin da pista 2 do Jamor. Ah! e o Bruno Salvador também está um monstro (ele nunca foi bonito). Pareciamos dois relógios Suiços!! Olá se pareciam...

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Ascensão ao Lhotse

Consta que uma jornalista Australiana escreveu que em 2005 ninguém tinha estado no Lhotse (8516 metros), irmão quase siamês do Monte Evereste e a quarta montanha mais alta do planeta. Não sei se com a intenção de demonstrar o contrário, o João Garcia irá apresentar amanhã, dia 17 pelas 21 horas, na Sala Estoril da Escola Superior de Turismo do Estoril, como foi a sua ascensão a este pico.

"A expedição portuguesa ao Lhotse, culminou no dia 21 de Maio de 2005. Às 13h locais, João Garcia anunciava o êxito da sua tentativa a partir do cume, num contacto via rádio com o outro membro da equipa, Hélder Santos, que entretanto foi forçado a abdicar da subida devido a problemas nos ouvidos.

Foram necessários 47 dias na montanha para João pisar o cume, tendo sido uma das ascensões mais penosas que realizou, comparando-a mesmo com a do Evereste.
Devido a problemas de saúde, o Hélder não pode realizar a parte final da ascensão, pelo que ao João não lhe restou outra opção, senão arriscar a fazer a ascensão sozinho. Saiu do campo III, instalado aos 7300m, às 23h de sexta-feira e só regressou no final de sábado, após uma longa e árdua jornada. Foi às 13h locais (início da manhã em Portugal) que João Garcia pisou, por breves instantes, o cume do Lhotse e de imediato, informou via rádio o Hélder Santos.
No dia seguinte desceu ao campo base, onde chegou exausto, mas em perfeitas condições de saúde e pronto para o regresso a Portugal, depois de quase dois meses de expedição.
Esta primeira expedição portuguesa a uma montanha com mais de oito mil metros saldou-se assim pelo sucesso, que foi marcado pela ascensão do cume por um dos elementos e principalmente porque ambos estão bem, que é sempre o factor mais importante numa expedição deste tipo, que comporta elevados riscos.
Só a perseverança, aliada à grande experiência, boa condição física e a alguma dose de "inconsciência" permitiram mais este sucesso para o João, para a Desnível e para o alpinismo português.
A quarta montanha mais elevada do mundo, faz parte do maciço do Evereste do qual está separado pelo colo Sul. O Campo base e parte do percurso para a ascensão a esta montanha são os mesmo que para quem opta por fazer a ascensão ao Evereste pelo Nepal.
Este foi a sexta ascensão de João Garcia a um cume com mais de oito mil metros: Cho Oyu (8201m), em 1993; Dhaulagiri (8167m), em 1994; Evereste (8848m), em 1999; Gasherbrum II, em 2001; Gasherbrum I, em 2004 e o Lhotse (8510 m), em 2005. "

Este texto e demais informações estão disponíveis no site da Associação Desnível.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

A caminho de Paris

Comecei já o treino para a Maratona de Paris (9 de Abril). A primeira semana de treino previa 98km e duas idas à pista para fazer 12 vezes 200 metros (trabalhar a velocidade, na quarta) e 8 vezes 800 (na sexta, um treino mais específico). A isto juntava-se um treino mais longo no domingo e os restantes dias era a treinar. Na pratica foi quase isto tudo que aconteceu. Comecei mal a semana com uma contractura na inserção do gémeo da caneta esquerda que ainda me deu cabo do treino de segunda mas que se veio a resolver. O treino das séries de 800 veio a ser uma grande trampa mas isso há dias assim. O longo de domingo teve ser partido ao meio com uma sessão logo de manhã ás 6.40 e outra ao final do dia, depois de passar o dia a escalar em Sintra durante várias horas. Hoje estou todo roto? Porque será?!

Esta semana, o menu fala em 106 km de corrida, divididos por 8h28m. Com duas idas à pista para fazer séries de 200 na quarta e de 1000 na sexta. No domingo é o tradicional treino longo. Pergunto-me: "como é que raio vou encaixar isto tudo no curso de escalada e numa ida ao Fundão, tudo num só fim-de-semana?!"

Beijos e abraços.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Prolongada ausência

Boas entradas a todos os meus (2) leitores (eu e o meu ego). Isto por aqui tem estado um bocado às moscas. A desculpa é a mesma de sempre: TRABALHO. Desde a última vez que por aqui escrevi dei uma saltada a Gredos, juntamente com o Daniel e o Filipe. Partimos com a ideia de fazer a triologia: Ameal del Pablo, Galana e Almanzor num dia mas no primeiro apanhamos muito vento e não demos bem com a via do Ameal del Pablo pelo que perdemos por ali bastante tempo e não resolvemos o problema. Acabamos por ter de lá deixar uma fita e um mosquetão e rumar à Galana. Já lá em cima conta o Daniel (porque eu fiquei um pouco mais abaixo enão conseguiu espreitar) que a última trepada estava completamente gelada e lá tivemos de dar meia volta. A ventania estava mesmo brutal. A descer o Venteadero parecia que nos atiravam vidro à cara. No dia seguinte rumamos finalmente ao Almanzor e lá se fez. Este sim foi um dia em cheio que deu para praticar uma série de técnicas.

Foto do Filipe Conceição

Desde aqueles aconteceu o Natal e o fim-de-ano com todos os malefícios que isso traz à forma de quem tem a mania que é desportista (e não estou a falar de comida). Já em 2006 começa o treino a sério para a Maratona de Paris, que será no dia 9 de Abril. Para já a coisa começou com o pé esquerdo visto que no sábado fiz uma S. Silvestre em Pinhel e arranjei um toque um pouco abaixo do gémeo da perna esquerda que me impediu de treinar bem logo no primeiro dia.

Para este ano tenho na forja mais umas ascensões programadas e umas provas de Triatlo lá por fora. Espero dar aqui conta do que se for fazendo.

Bom ano a todos!!

quarta-feira, novembro 23, 2005

Escalada

Se o S.Pedro não se lembrar de dar uso às suas potentes mangueiras o próximo fim-de-semana voltará a ser fim-de-semana de escalada. Isto porque estou a frequentar um curso do GMESintra. A ideia é eu ganhar alguns conhecimentos mais e destreza no manuseamento dos instrumentos normalmente usados na escalada e a que por vezes se tem de recorrer para quem é um adepto das montanhas. Confesso que antes do inicio deste curso a minha vontade em dedicar muito tempo e algum dinheiro à escalada propriamente dita não era muito. Encarei o curso apenas como uma forma de adquirir conhecimentos que permitam ir mais longe e com mais segurança nas “brincadeiras” que vou fazendo em montanha. No entanto, e apenas após dois dias a praticar fiquei seduzido pela coisa. O meu jeito não é grande mas isso por si só acaba por constituir um desafio: aprender a fazer qualquer coisa para a qual não se é especialmente dotado.

Aqui vos deixo uma imagem do curso (feita pelo Zé Maria), numa altura em que o pessoal aprendia a fazer a manobra de passar a corda no top. Neste dia o local escolhido foi o Penedo da Amizade, na Serra de Sintra. A chuva não deixou o pessoal subir mais alto mas deu para ver o filme.

Acho que arranjei mais uma maneira de gastar, os já curtos, tempos livres. Mas como diz a Nelinha-das-Lãs (minha Mãe): Quem corre por gosto por não cansa!!

segunda-feira, novembro 14, 2005

Vanessa, a MÁIOR!!

Ah e tal eu até podia gabar aqui as qualidades atléticas da Vanessa Fernandes mas o que mais me faz admirar a Vanessa Fernandes são as suas qualidades humanas. Depois de ter o mundo do triatlo a seus pés ainda consegue ter humildade e descernimento para agir sabendo que se não trabalhar ainda mais não fica lá em cima durante muito mais tempo. Os meus mais sinceros parabéns a esta senhora (menina é já só mesmo no BI) do desporto mundial.

O tipo de qualidades humanas que a Vanessa exibe são daqueles que me fazem acreditar que será ela a grande Rainha Olímpica depois da Rosa Mota. Ser-se atleta de topo não é ter só qualidades físicas, é preciso ser-se inteligente e não ter caganças. São essas características que identifico na Vanessa, no Bruno Pais e noutros triatletas da nossa praça. Infelizmente não em todos. Andam por ai alguns que ainda não ganharam nada mas em vez de um trazem quinze, quinze Reis na barriga...

Miúda: És GRANDE!!!

quinta-feira, novembro 03, 2005

Aneto


No passado fim-de-semana, aproveitando o feriado do 1 Novembro fui aos Pirinéus. A ideia era subir ao Aneto. Fui com um grupo muito numeroso, pessoal do Fundão, pessoal de Lisboa que já conhecia, amigos de amigos que ainda não conhecia. Tivemos alguns apoios que sempre serviram para algum material e ajudar na despesa de alugar um mini-bus que nos levasse até aos Pirinéus. Partimos na sexta-feira e no sábado à tarde chegamos a Benasque. Pelo caminho apanhamos uns quantos sustos com os drivers que nos calharam. Valentes artistas!!
Chegados à Chamonix dos Pirinéus rumamos à Barrabés. Uma loja que é uma referência no mundo do montanhismo. Fiquei decepcionado, as coisas eram mais caras que na web. Dali fomos a uma outra loja alugar crapons e piolets já que para atravessar o Glaciar do Aneto é obrigatório levar esses materiais.
Arrancamos de Benasque rumo ao Llanos de Besurta, uma zona verde a partir da qual não há estradas, apenas caminhos de montanha. Rumamos então ao abrigo La Renclusa. As obras ali já duram há bastante tempo, tipo Obras de Santa Ingrácia. Mas a coisa até está com muito jeitos de ficar porreira daquilo a algum tempo. Essa noite foi um avacalhanço à moda antiga no quarto do abrigo.

(abrigo Renclusa)

Na manhã seguinte, pelas 5 horas, arrancamos rumo ao Aneto. A coisa parecia estar a correr bem. O céu estava estrelado o pessoal estava todo a andar junto e a bom ritmo. Fomo-nos chegando à cota do Portillon. Aqui começou a coisa a mudar. O tempo piorou, ficou nevoeiro e o Henrique sentiu-se mal e foi obrigado a voltar para trás. Acabamos por nos perder, não vimos o acesso ao Portillon Superior e fomos dar ao Glaciar da Maladeta (um outro pico algo mais baixo que o Aneto). A partir deste instante houve quem achasse que estava a subida comprometida, ainda assim continuámos. Acabamos por dar com o Portillon Superior eram já 10 da matina e nós com 5 horas nas pernas (o raio da corda que trazia às costas estava cada vez mais gorda e pesada). Dai fomos avançando com alguns grupos espanhois pela frente. Atravessamos o caos de blocos e chegamos até meio do glaciar. Aqui houve um plenário presidido pelo único gajo num raio de uns km's que tinha GPS com os picos da redondeza correctamente marcados. Foi fácil chegar-se a uma decisão eram já 14 horas, nós tinhamos já 9 nas pernas e ainda havia que regressar. A visibilidade não era mais que de 15-20 metros e pronto...assunto arrumado! Toca a voltar para trás com o Aneto ali tão perto...quase que lhe sentia o cheiro. Tive pena. Mas em montanha, com aquelas condições climatéricas não se pode arriscar. Daqui a uns meses o Aneto ainda lá está e eu hei-de fazer-lhe a folha!!

O regresso é penoso. Nunca imaginei. Chegar ao Portillon ainda é naquela, as pernas já vão maçadas mas vão... dali para baixo é que é o diabo!! Só calhau, sobre calhau. Somos obrigados a meter travão com os joelhos durante umas duas horitas. A dôr nas articulações roça o insuportável, mesmo para um gajo que até é paciente! Devo dizer que ainda apanhei um belo susto. Na descida optámos por fugir ao caminho marcado pelas Marialvas e seguir recto para o Abrigo. Má ideia. A certa altura a neve acabava e aparecia algum gelo sobre os calhaus. Tive ali um pequeno resvalar do pé rumo ao abismo. A corda e restante equipamento - que por aquela altura já pesavam 2000 Kg - fizeram de embaladeira e cheguei a ver a minha vida mal parada. Veio a calhar a moral e as dicas do Jorge que fizeram com que eu largasse a porcaria do piolet e começasse a descer mais à tarzan. Resultou.

Chegados ao Abrigo, tivemos apenas o tempo de arrumar o resto do material e rumar à Besurta onde o minibus nos esperava. Nessa noite ficamos em Benasque e no dia seguinte rumamos a casa. Quase morremos pelo meio, mas isso o condutor que explique!!!!

Ironbike.4

No próximo fim-de-semana o Carmo vai estar com o Nuno Gomes e vai-me trazer o cd com as fotos que ele tirou no Ironbike, vão de certeza ajudar a ilustrar a estória (que já vai bem demorada). Logo que veja alguma jeitosa eu publico aqui. Se bem me lembro no Ironbike.3 tinhamos acabado de chegar a Salluzzo. No dia seguinte lá demos umas voltas pela cidade. Demos um salto ao Aeroporto de Malpenza, perto de Milão, para apanhar o Patrício. Lá resolveu o problema de saúde e veio ter connosco. Passámos por Turim mas não deu para grandes voltas.
À tarde fizemos mais um treininho pelas redondezas de Salluzzo. As tendas estavam agora no Campo Base do Iron. Um campo de futebol que lentamente foi ganhando alguma côr com os biciclistas que iam chegando: Turcos, Checo-Turcos, Charoleses, Contra-Charoleses, Movskos. No treino voltou a ser necessário meter um par de italianos na ordem. Não é que vamos nós muitos descansadinhos subida acima quando me aparecem duas artistas literalmente a sprintar para ver se nos arrancavam os autocolantes das bikes com a ventania provocada pelo speed... Lá tivemos de enfiar a taleiga e retribuir o mimo...

A primeira etapa do Iron consiste de um prólogo nocturno pela zona antiga da cidade. Inclui umas quantas descidas por escadarias antigas. Fomos procurá-las para ver que tal aquilo se fazia... ao segundo lance já eu estava esticadinho no chão para abrir a pestana! levava pouco ar na suspensão, aquilo amochou e dali ao chão foi um repente. Na sexta-feira ainda demos uma saída à noite. Não é mito: as italianas têm mesmo muita pinta!!

O Nuno Gomes e o Guillaume chegaram entretanto e lá nos instalamos o acampamento tuga.

Sábado: esta cena começa hoje! Demos um jeito nas bikes, fomos comprar umas coisitas que davam jeito. Câmaras de ar, desmontas, etc. Antes do jantar houve um briefing. Ai a coisa já deu a entender que ia ser bem dura e que havia algo de diferente relativamente àquilo que o Fernando Carmo nos falara. As informações prestadas não eram nada de especial e não apareceu o gajo bacano chamado Pipino. Enfim, só se ia passar o prólogo e o tempo ai perdido não tinha peso nenhum no resultado final. Nesta altura ainda tinhamos ambições a um lugar jeito, principalmente o Catarino que estava realmente cheio de força.

O prólogo foi feito por várias mangas. Nenhum de nós levou aquilo muito a sério. Com receio de repetir as quedas até corri com sapatilhas de atletismo em vez de sapatos para os pedais automáticos, foi quase tanto o tempo com a bike pela mão nas escadarias como a pedalar. Foi giro correr à noite passando pelas ruas dos bares com aquilo cheio de malta. Curti! Não me esqueço é da humidade que ainda estava às onze da noite. Um gajo esperto topava logo que no dia seguinte a coisa seria dificil... mas eu não topei nada!!!

quinta-feira, outubro 27, 2005

segunda-feira, outubro 24, 2005

Messner

Há dois anos a National Geographic lançou um número comemorativo dos 50 anos da ascensão do Evereste. Ontem mexi lá numas revistas em casa e dei com aquilo. É um cume com grande carisma, ou não fosse o mais alto, e onde se desenrolaram grandes feitos e grandes tragédias.



O cume foi alcançado pela primeira vez por um Neo-Zelandês, o Edmund Hillary e o seu amigo Nepalês Tenzing Norgay. Durante os 30 anos que se seguiram muitas conquistas se sucederam: a primeira escalada por uma mulher, a escalada de um alpinista por um lado da montanha, descida pelo outro, e a primeira descida em esqui. Qualquer um dos feitos foi conseguido com auxílio de oxigénio artificial.
O primeiro a fazer o Evereste sem auxílio de oxigénio artificial um indivíduo italiano, o Reinhold Messner. Um tipo que me desperta uma enorme admiração, o gajo é professor, deputado, escritor, alpinista de grande nível e tenho por ele uma grande admiração. Foi ao procurar alguns dados mais sobre este Italiano nascido na Austria que encontrei em A Fábrica este post muito interessante:

"Messner ficou conhecido em 1970 por escalar uma série de rochas alpinas sem o uso do oxigénio. No ano de 1974, Messner junto com Peter Habeler -outro adepto da filosofia -continuaram as suas escaladas. Ligeiros e ágeis conquistaram o Matterhorm e o Eigerwand. Em 1975 fizeram uma notável escalada no Gasherbrum, a décima primeira montanha mais alta do mundo, sem o uso do oxigénio. A próxima meta era alcançar o Evereste. Messner e Habeler receberam muitas críticas da comunidade médica, que os chamaram de “lunáticos” por estarem colocando em risco a sua própria vida. Sem se importar com as críticas, os dois deram sequência aos seus objectivos.Chegaram ao acampamento base do Evereste em Março de 1978. Iniciando a primeira tentativa no dia 21 de Abril. Alcançam o acampamento III no dia 23 daquele mês. Naquela noite Habeler passou mal devido a uma intoxicação alimentar. Na manhã seguinte, Messner decidiu prosseguir a subida, juntamente com dois sherpas. Ao alcançar o Colo Sul foram surpreendidos por uma violenta tempestade. Enfrentaram temperaturas de 40 graus negativos e ventos fortes durante dois dias seguidos. Exausto e com fome, Messner estava começando a acreditar que seria impossível alcançar o seu objectivo. Até que, finalmente, o tempo melhorou e ele pôde retornar ao acampamento base para se recuperar.Messner e Habeler voltaram a discutir sobre a maneira de alcançar o cume. Habeler sugeriu o uso de oxigénio, mas Messner recusou a usá-lo. Dizendo que, mais importante do que conquistar o cume seria conseguir chegar no mais alto ponto possível sem o uso de oxigénio.No dia seis de Maio eles iniciam outra tentativa. Alcançaram o acampamento III (7200m). Estando agora em altitudes onde poderiam sentir os efeitos da falta de oxigénio. Concordaram em carregar dois cilindros de oxigénio ao acampamento IV, em caso de uma emergência, e haviam feito também um pacto onde voltariam atrás se um ou outro se sentisse mal.No dia seguinte demoraram três horas e meia para alcançar os 7986m do Colo Sul, onde acamparam a noite. Habeler queixou-se de uma forte dor de cabeça. Mas depois de descansar sentiu-se melhor.No dia 8 de Maio, acordaram e iniciaram a tentativa de alcançar o cume. O tempo estava instável, e mesmo assim decidiram deixar o acampamento. A respiração tornava-se cada vez mais preciosa, e os dois passaram a comunicar por gestos. O progresso passou a ser lento, demorando quatro horas para alcançar o acampamento V (8500m), onde pararam para descansar cerca de 30 minutos. O tempo ainda ameaçava, mas decidiram continuar rumo ao cume, que estava a 260 metros acima.Enfrentavam agora um cansaço jamais sentido até então. Os difíceis passos eram apoiados por machados de gelo e a respiração cada vez mais escassa. Messner disse mais tarde que se sentia como se fosse “estourar”. Alcançando o Pico Sul, o vento era muito forte, mas eles ainda tinham esperança de que o tempo melhorasse. Faltavam apenas 98 metros. Atravessaram o Passo de Hillary, descansando algumas vezes. Entre a uma e as duas horas da tarde de 8 de Maio de 1978, Messner e Habeler conquistaram o que até então parecia ser impossível – a primeira ascensão do Evereste sem oxigénio.O sucesso desta expedição confundiu a comunidade médica, e causou uma reavaliação da Fisiologia da alta altitude. Em 1980, Messner volta ao monte Evereste para completar, desta vez sozinho, mais uma ascensão ao maior cume do mundo sem auxílios artificiais. Apenas cerca de 60 pessoas no mundo conquistaram essa façanha, sendo entre estas 4 mulheres.Reinhold Messner, nasceu em 17 de Setembro de 1944 em Brixen, Áustria e a este feito tem ainda a juntar, outros dois feitos de monta na História do alpinismo: Foi o primeiro alpinista a escalar com êxito todas as 14 montanhas do mundo acima dos 8000 metros, sempre sem oxigénio.Com a escalada do Kanchenjunga em 1982, tornou-se o primeiro alpinista a escalar as três mais altas do mundo, tendo antes alcançado os picos do Evereste e do K2.”

sexta-feira, outubro 21, 2005

Ironbike.3

No dia seguinte lá nos fizemos ao caminho, o objectivo era chegar a Salluzzo ainda nessa noite. Era já quinta-feira e tanto eu como o Catarino queriamos ter o dia de sexta para irmos ao secretariado da prova com calma, fazer um treino pela zona e eventualmente alguma compra de última para as bicicletas. Assim lá abrimos os cordões à bolsa e tá de pagar euros com fartura nas autoestradas francesas e gasóleo dourado (por aquele preço só podia ter ouro). Á passagem por Cannes fomos lá provar um bocadinho de trânsito (eu já tinha saudades) e fomos pela marginal até ao Mónaco. Meus amigos: eu já ouvi dizer que a Marginal de Cascais está ao nivel da de Nice...perdoem-me mas não concordo! Cascais é muito giro e tal mas aquilo ali é bem mais. Já percebo porque razão o Armstrong escolheu aquela zona para morar (antes de ir para Girona que é ainda melhor).



Lá chegamos com a Ramona ao Mónaco, escusado será dizer que fez grande sensação entre os Ferraris, Rolls e companhia, e enquanto o Borges foi passear eu o Catarino fomos desentorpecer as pernas com um treininho de hora e meia de bicicleta que era suposto ser assim de fininho.



Passeamos pelo Porto, pelo túnel, pela curva do Hotel Paris (é assim que se chama) e estava eu descansadinho a enviar sms's para a terra mãe a tentar meter inveja ao pessoal quando se me apresenta um artista com o seu metro e 90 de altura, bem montado numa bike de estrada, perninha depilada e o camandro. Fala-nos em inglês cumprimentando e desafiando depois os tugas a andaram mais rápido mas numa onda assim daquela "olha-me estes futres tugas, vêm nas btt's, vou picá-los com a minha bike de estrada e vou aumentar a minha auto-estima deixando-os ai pregados!!" Dai que do cumprimento a 40-45 km's/hora com pneus de montanha foi um saltinho. O artista ia empenhado e nós a ver se aguentávamos a roda. Ainda lá fui à frente meter conversa com ele, já tinha feito triatlo, conhecia muito bem a Vanessa Fernandes e também um pouco o Bruno Pais, mas nem com a palheta o gajo desistiu da intenção de nos pregar. Só me perguntou (pq o Catarino vinha sempre na terceira posição) se o meu colega aguentava ao que eu lhe respondi: "Caríssimo Novel-Amigo: se há coisa com que o meu Amigo não tem de se ralar é com a saúde pernal do Catarino" e lá continuámos na direcção de Nice. Á pagina-das-tantas (curto esta expressão) vamos de encontro a uma súbida e o gajo vai de tensar mais a corda. Foi ai que pela primeira vez ouço o Catarino com as suas sempre sábias palavras: "Anda corno que já te chapaste!!", a GT-cinzenta lá meteu os cornos ao vento e em menos de nada quem penava era o "Charolês" eu deixe-me estar na roda do dito até que o artista perdesse completamente a roda do Catarino. Quando vi que ele tava mesmo nas últimas passa a Specialized-vermelha pelo "Charolês" indo apanhar a GT-cinzenta lá mais à frente e deixando o rapaz abandonado à sua sorte na subida. Fomos andando forte até termos a certeza que o "pequeno" tinha aprendido a lição e esperamos por ele para lhe dar uma palavra de alento e que podia continuar a mandar mais postais que os gajos dos pneus gordos ainda estava disponíveis para lhe responder. :)

Mas chega de me armar em macho!

Lá voltamos ao Mónaco onde o Paulinho foi sacando umas chapas e fomos ao belo do mergulho no Mediterrâneo. Jantámos por aquela bela cidade. Sério que fiquei maravilhado, não me importava de viver num qualquer Chalet daquele Rochedo. Estou até na disposição de abrir mão do meu Chalet no Chapim, sério! Depois do jantar assistimos do cimo do Rochedo a um festival de fogo de artifício na zona do Porto. Não há palavras que descrevam aquele cenário. Continuamos caminho sempre a subir, passamos nos túneis que nos levavam a Itália (sim, nós gajos da beira em vez de irmos pelo mar fomos pelo caminho da montanha) onde as tantas ficamos sem gasóleo e tivemos de andar não sei quanto tempo para trás até achar umas bombas. Acabamos por chegar a Salluzzo a meio da noite onde fomos recebidos pelos Cabinieri que se devem ter assustado com o evidente potencial da Ramona. Lá lhes explicamos ao que iamos e os gajos baixaram as metralhadores e escoltaram-nos a um sítio onde pernoitamos.

Amanhã há mais!

Ironbike.2

No dia seguinte de manhã eu e o Catarino lá nos mandámos Aubisque acima. A ideia foi fazer o último estímulo de treino antes do início do Ironbike. A paisagem ao longo da subida é impressionante, impressionante também é o número de pessoas que logo bem cedo de se encontram por ali de bicicleta. Acho fantástico a paixão que os povos do centro da Europa têm pelas suas montanhas. Feito o treino lá nos metemos a caminho, passamos por Lourdes e almoçamos em Árgeles-Gazost mas o dia acabou por não ser nada produtivo. As estradas são muito bonitas para passear mas para quem queria chegar a Itália a tempo de dar umas voltas pelo percurso tornou-se demasiado longo... acabamos por montar a tenda no final do dia num parque de campismo numa aldeia chamada Puivert onde há um lago fabuloso para se darem umas braçadas e naquela noite havia festa com fogo de artifício, concerto e vinho! Muito bom!!

Amanhã vamo-nos deixar de passeio, vamos meter-nos nas estradas e acabar o dia já em Itália mas com uma passagem muito simpática pelo Mónaco.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Ironbike.1

Aqui está um tema sobre o qual ando para escrever há muito tempo mas que por um ou por outro motivo tenho vindo a adiar. Devo começar por explicar que isto do Ironbike é uma prova de mountain bike que se realiza anualmente na província italiana de Piemonte, em plenos Alpes. É uma prova muito dura onde por vezes o BTT dá as mãos ao Alpinismo. A ideia de participar nisto partiu do Fernando Carmo, companheiro do Triatlo e que esteve presente em 2002 e que entretanto se tornou agente em Portugal da Ironbike. O Pedro Amaral outro companheiro da Tríade também lá esteve em 2004 e as referências que um e outro me deram foram as melhores: excelentes abastecimentos, óptimo ambiente entre atletas de muitas nacionalidades e staff. Paguei para ver (400€) e lá me preparei para a coisa. Devo dizer que a preparação que fiz esteve muito muito longe de ser a mais adequada. Devido ao tipo de trabalho que tenho não consegui dedicar os fins-de-semana a treinos longos em verdadeiro ambiente de montanha. A excepção foi o Xeque à Torre. Um fim-de-semana de BTT puro e duro em óptima companhia e de que guardo excelentes recordações.

Mas vamos a isto!
Fundanenses iam participar 3: eu, o Catarino e o Patrício pelo que nos decidimos a levar a minha ramona (Toyota Hiace de 1981 com comportamento e fiabilidade de um relógio suíço). A ideia era arrancar no domingo dia 17 de Julho ao final da tarde, atravessar Espanha durante a noite na segunda de manhã montar a tenda a meio da subida para o Aubisque onde na terça passava o Tour de France. Infelizmente o Patrício adoeceu e começamos a ver a sua ida por um canudo. Adiámos a viagem por um dia. Na segunda-feira a garganta do Patrício teimou em não melhorar e tivemos de nos fazer à estrada sem ele, ficando o compromisso de, no caso de melhora, ele ir ter a Milão de avião. Assim, eu, Catarino e Borges (nosso companheiro de viagem que nos deu um grande apoio) lá nos fizemos ao caminho cheios de pica para dar cabo dos Alpes e assistir ao sétimo triunfo do Texano Lance Armstrong no Tour de France. Ainda nos perdemos mas conseguimos chegar a Pau, porta de entrada dos Pirinéus na terça bem cedo. Passámos no centro da cidade onde nesse dia terminaria a etapa do Tour, a última com montanha antes da chegada aos Campos Elísios.


O ambiente em volta do Tour é qualquer coisa de muito grande, vêm-se grandes pelotões de cicloturistas, camiões para logística, carros de exteriores, muito helicópteros, muitos carros da organização. É tudo em grande, tudo é muito. Subimos até 4km do topo do Aubisque e ali montámos a tenda e descansámos até à tarde. Quando sai da tenda e cheguei à estrada a adrenalina disparou! Que loucura, milhares e milhares de pessoas (quase todas com a pulseira Livestrong), centenas de policias. Um ambiente de derby futebolístico (sem as partes más) transportado para uma estrada de montanha. Andámos por ali a receber montes de brindes da (também gigantesca) caravana publicitária, sacar umas fotos com malta famosa e da fantástica paisagem.

Finalmente chegaram os ciclistas. Vinha fugido o Cadel Evans juntamente com o Óscar Pereiro e mais alguém que agora não me recordo bem. Atrás vinha o maluco do Vinokourov que tinha saltado do grupo do Armstrong. No grupo do Texano já não estava o Azevedo, estava algo mais atrás com o Popovich. Com o camisola amarela estavam o Floyd Landis, o Ullrich, o Rasmussen e outros.

Infelizmente este não foi um grande dia para o Azevedo mas a bandeira nacional lá esteve, à espera dele para o saudar.

O que mais me surpreendeu no Tour para além da envergadura que tem é o nível dos ciclistas. Eu estava habituado a ver na Torre a Volta a Portugal onde após os 50 primeiros já só se viam sprinters agarrados aos carros ou a serem empurrados montanha acima e já a grande distância dos primeiros. No Tour não, o nível é mais homogéneo e até mesmo os sprinters andam que se fartam na montanha, havendo diferenças nada comparáveis (atendendo aos percursos bem mais selectivos) com os que se vêm na Torre.
Assim que a caravana passa é incrível a rapidez com tudo desaparece: as pessoas, os carros, as bicicletas e até o lixo! Como de costume em território francês às 9 da noite está tudo fechado e pouco mais se pode fazer que dormir. O cansaço era grande e no dia seguinte íamos fazer um treino com rampas (o último antes do início do Ironbike) de manhã cedo e arrancar para o lado do mediterrâneo chegando-nos a Itália.

Amanhã há mais!

terça-feira, outubro 18, 2005

Dias longos

No domingo realizámos (Federação de Triatlo) ali no Estoril o Campeonato Nacional de Triatlo. Para aquilo ter maior impacto na imprensa e porque também nos dá um grande gozo ter malta conhecida nas nossas prova decidimos convidar uns "vips" a fazerem a prova. Penso que foi uma excelente ideia e o pessoal que aderiu gostou da bastante. Estiveram por lá o Sérgio Paulinho, o Gamito, Diana Gomes, a Dina Pedro, o Rubim, a Mónica (sua namorada) e muito mais pessoal. Se relativamente ao pessoal do desporto eu já os conhecia a todos e é tudo malta muito na boa relativamente ao pessoal dos reality shows eu estava um pouco de pé atrás. No entanto, devo dizer que fiquei muito agradado pela sua simpatia e simplicidade estavam muito numa de se divertirem com o desafio de participar numa prova de triatlo. O menos positivo foi à noite, no programa 1ª Companhia, o sacana do Rubim dizer que a bike que eu lhe tinha emprestado tinha sido sabotada, tinha os pneus vazios e a corrente saltava. Pois claro que fiquei chateado!!!, mas o facto é que tinha ideia de lhe meter algum óleo e encher os pneus mas aquilo nestes dias é tudo tão à pressa que não se consegue fazer nada do idealizado.


















O primeiro parágrafo foi um aparte, do que eu queira mesmo falar aqui era dos dias longos, os dias de prova bem entendido! A maioria das pessoas não faz a mais pequena ideia do trabalho que dá montar uma prova de triatlo. Para começar são três percursos diferentes, que têm de ser montados e aos quais se tem de dar segurança. Para dar uma ideia do que é um dia de prova aqui fica um histórico do domingo passado:
05.00 levantar o rabo da cama (dormi mal para caraças)
06.00 chegar ao Estoril
- descarregar toda a tralha que tinha no carro
- dar uns palpites sobre o estado do mar para definir se faziamos ou não a natação com aquelas condições
07.00 colocar fita balizadora, nalguns pontos num lado e doutro, do percurso de corrida que tinha 2 km de extensão
08.00 preparar os kits com os dorsais e chips dos atletas convidados (muitos não se conheciam ainda e tivemos e ali apadrinhar as equipas); receber todos os convidados e explicar-lhes como se fazia a coisa
09.15 agarrar-me ao micro e começar a comentar a prova para o público que ali estava (na praia) logo que toda a malta saiu da água desatei a correr para a meta onde os primeiros deviam estar a chegar para ali continuar com os comentários
10.00 na zona de meta continuar a comentar, sempre sem comer nem beber, respondendo às perguntas de que acha que o "tipo do microfone é o gajo que sabe tudo". É o gajo que sabe das chaves perdidas, é o gajo a quem reclamamos da cotovelada que se levou na água, é o gajo a quem se pergunta pelos banhos, pelo cão, pelo gato, pelo pai, pela mãe, pelo juiz, pela juiza, pelo lugar, pelo tempo, pelo, pelo, pelo, pelo.... tão a ver a ideia?
10.30 estar na partida da prova campeonato nacional. isto após ter feito a ligação meta-praia do tamariz a correr a 2'50'' o km; repete-se o ciclo dos comentários para o público. Aqui tem de se estar especialmente atento aos familiares de cada atleta. É proibido trocar os nomes (eu nem uma lista com os nomes normalmente tenho e o pessoal acha que tenho de saber não só os nomes como também os currículos); é proibido esquecer alguém e um gajo tem de ser tipo computador: passa um gajo e fala-se nele! é proibido descansar nem que seja porque já se está farto de falar. Daqui até à chegada do primeiro é sempre a encher farinheiras ao micro e responder às perguntas da malta que acha "o tipo do micro sabe tudo".
12.30 Os primeiros atletas lá vão chegando à meta e começo a falar com eles. Segue-se a entrega dos prémios onde é preciso falar ainda mais e com cuidado porque entretanto chegaram os políticos. Com as palminhas todas quando aquilo acaba estou mais morto que vivo e são 14h00.
14h30 - 15h00 Recolher todo o material que se foi espalhando ao longo do dia.
15h30 Comer qualquer coisa. A meio do almoço começa o telefone a tocar, é o pessoal que quer as classificações on-line, os jornalistas que querem fazer as notícias. Ainda a meio do almoço visto o colete de reporter e faço um press-release. A meio peço um whisky, tou com uma dor nas costas de ter passado o dia em pé que nem me tenho, senão me anestesiar isto não vai lá...
17h30 Continuo a lutar contra o computador, a placa GPRS, o back-office da página da FTP, os endereços de correio que têm uma pelica a mais, o cansaço, ...
18h30 Doze horas depois estou onde comecei ao lado do meu carro, que tinha ficado na Praia do Tamariz prestes a ir para casa. Pelo caminho ligam mais jornalistas que querem os resultados. Ligo para um amigo que fazia anos e ainda lá passo em caso, vou la ver o jogo da minha académica (lá ver senão adormeço). Quando lá chego em vez de me sentar frente à tv cravo-lhe a net e vou meter a noticia do site. Lá me fartei daquilo e fui ver a bola.
22h30 Chego finalmente a casa, mais morto que vivo. Foi um fim-de-semana e pêras. Meto na TVI para ver se os gajos falam daquilo e sim senhor, falam: falam mal da bicicleta que lhes emprestei, ainda por cima minha queridíssima Specialized M5 que tanto me custou a comprar.

E é assim, um dia longo, um dia de prova. Para a semana há mais, no Cartaxo, outro Campeonato Nacional, agora de Duatlo. Depois acaba a época e vou fazer um curso de escalada, vou aos Pirinéus subir o Aneto, começo a preparar a Maratona de Paris e uma série de outras de que vou tentar falar por aqui.

Beijos e abraços

sexta-feira, outubro 14, 2005

Fotógrafo na Escola

Alguém se lembra de quando o fotógrafo aparecia lá na escola primária para tirar fotos aos putos? Esses kodaks são qualquer coisa...normalmente era de inverno, o pessoal estava com aquelas camisolas de lã completamente 80's, os putos todos bué da gordos ou então com a cara rosada de terem vindo das corridas do intervalo e com as pingas de suor ainda a escorrer...LINDO!! e depois o kodak de conjunto com o professora, todos alinhadinhos, assim à antigo regime. E se um gajo for ver bem essas fotos está lá sempre um artista com os olhos tortos ou fazer orelhas de macaco. Mais lindo é rever aquilo passados 20 anos e encontrar uns quantos cromos que um tipo já nem se lembrava que existiam.

Será que hoje em dia quando o fotografo lá vai ainda leva o mesmo cenário com as folhas de outono?

quarta-feira, outubro 12, 2005

Monstros da Maratona



Boas!
Isto já andava parado há uns dias. É assim a falta de tempo... Acho que não vai haver Azores.2, fica para a próxima, aquilo foi giro e ponto final. Entretanto já aconteceu o Triatlo do Fundão, o Duatlo do Camarnal, o Imago e as Eleições. Dos dois primeiros não guardo lá grandes recordações, as prestações não foram grande espingarda, mas que se lixe!




















Hoje decidi recuperar um post que escrevi no início de Março passado, logo após ter concluido a minha primeira Maratona (sevilha 2005). Aqui fica:

"E pronto, está feito! A maratona de Sevilha já lá vai, está na altura de pensar na próxima! Devo dizer que me diverti à brava e me fartei de aprender nestes seis meses de preparação. Aqui fica o kodak da rapaziada que esteve por Sevilha. Isto agora cada de nós terá a sua maneira de ver as coisas e saberá o que passou durante a prova e o que lhe custou ultrapassar o frio (3ºC), o vento que se fazia sentir naquelas avenidas mais expostas e principalmente a chuva. Pessoalmente, apesar de ter um andar novo a coisa até se fez bem, não dei tudo o que tinha. O mister falou que era preciso um gajo controlar bem e foi isso que fiz até quase à meta. Entre o pessoal que alinhou nesta brincadeira foi mesmo o "profissional" Barruncho que se safou melhor, foi 7º mas ainda liderou a prova. Depois veio o Luís Almeida, que apesar do joelho todo assassinado, ainda conseguiu fazer 2h36m. Julgo que quem ganhou aquela aposta dos tempos terá sido mesmo o Martim Menezes, certo? E pronto, eu abri aqui o blog mas fico à espera dos contributos do resto da malta. Boa recuperação a todos!
David"















Isto vem o propósito do facto de os Monstros estarem de volta à acção. Já anda malta a preparar umas maratonas (o Manuel Machado fez no fim-de-semana passado em Nova York 2:34. PARABÉNS!!). Eu só vou começar a treinar a partir do dia 2 Janeiro (o 1 é para a ressaca). O objectivo será Paris. Quanto a tempos...tenho algumas reservas quando penso nas miseráveis provas que fiz nos dois ultimos fins-de-semana. Mas como fica bem uma pessoa fixar uma fasquia, aqui vai: 2h46m23s. Vai ser no dia 9 de Abril de 2006. Até lá ainda há muitos muitos km's a galgar e umas quantas provas a fazer.

Vou dando notícias.