Por muito que me empolgue (e empolga muito) ver o Duarte ou a Vanessa competir ninguém me fez sofrer tanto como o Bruno. Provavelmente há quem não saiba mas eu estou no Triatlo porque sou amigo do Bruno desde criança, começamos a andar juntos de bicicleta, e com ele me fui chegando à modalidade ao ponto de esta se confundir - em absoluto - com esta minha existência.
O Bruno não é uma Vanessa. Não é extrovertido, nem tem um sotaque curtido. É introvertido e não tem grande gozo em falar em público. Por outro lado, é dos gajos mais honestos, generosos e trabalhadores que conheço. Onde nascemos, no Fundão, não havia piscinas e não havia (nem há!) desporto para os jovens. Apesar de começar treinar natação e corrida já tarde e com um atraso significativo para o outros portugueses, a genética e dedicação fizeram dele o melhor triatleta nacional.
Do nível nacional aos Jogos faltava um nadinha. No Mundial da Madeira em 2004, quando estava já (virtualmente) entre o lote dos Olímpicos de Atenas, um precalço em prova fê-lo ficar de fora daqueles Jogos. Eu teria de certeza encostado, mas ele teve a coragem de cruzar a linha de meta em lágrimas. Vingou-se semanas depois quando se sagrou Campeão da Europa Sub23, na Hungria.
Há dois dias atrás, vê-lo ali, em pleno percurso olímpico, a liderar o pelotão dos melhores triatletas deste planeta, deixou-me com as lágrimas nos olhos e pele de galinha. Vê-lo atacar e passar sobre aquele paredão sempre de forma 'tão fácil' e a fazer tudo certinho: a comer, a beber e passar a mão no rabo; um tique que nem sei se ele sabe que tem, mas que quer dizer que aquilo vai fácil! :-)
Numa prova de triatlo masculina tudo pode acontecer. As diferenças são mínimas. De todos quantos lá estavam o Bruno só ainda não ganhou ao Noya, de resto já todos perderam com ele. Até já fez dois pódios em Taças do Mundo.
Neste Jogos o Bruno fez tudo para ficar com a meia-dúzia da frente, não conseguiu, mas ficou entre melhores, que disso ninguém tenha dúvidas. Afirmar-se como um dos 20 melhores do planeta numa realidade brutalmente competitiva é obra! O Bruno fê-lo em estilo e com muita, muita atitude!
Fica assim feita a minha homenagem a um Amigo que acredito, se também ele acreditar, pode daqui por quatro anos estar num dos lugares do pódio de Londres.
Bruno quando se preparava para descarregar o medalha de Bronze em Atenas








O verão está ao virar da esquina e promete ser bem, bem animado.
