terça-feira, março 07, 2006

Coisa Ruim

{o ambiente é de música com batidas violentas e um cheiro a tribalismo}
Há coisa de um ano a Nelinha das Lãs tinha-se queixado que tinham desaparecido um conjunto de lençois da minha cama do Fundão. Nas lides deu volta a tudo e mais alguma e não deu com eles. Perguntava: "oh David Pedro mas tu não os terás levado por engano para Coimbra?" e eu: "Não minha mãe, não faço puto ideia onde esteja essa tralha. Sabes que eu só durmo neles, não os lavo nem os passo a ferro. Para essa tarefa não confio e mais ninguém que não tu, sabe-lo bem!!!".

{guitarradas estranhas e sem nexo, lêr rápido}
É inverno. Regresso de Coimbra são já umas 21.30, chego a casa. A Nelinha das Lãs deixou-me a comida em cima da mesa da cozinha. Mando-a para dentro do estômago a 200 Km/h e zarpo porta fora. Vou ter com o pessoal ao Costa (também conhecido por Bar do Fodinhas na Vidraça). Ao Absinto nº10 decidimos dar um salto à Quinta do Caçula fazer um som. Uns grunhidos nas guitarras, duas minis, umas bancadas na tarola, mais duas minis, uns grunhidos ao micro, mais duas minis e por ai em diante até às tantas da matina. No dia seguinte venho a saber que foi o Xixa Sainz que deu boleia naquela noite (eu até sabia, só não me recordava...). Caio na cama e adormeço. Vestido? Não me lembro...

{violinos bem agudos. aumenta o batimento cardiaco}
São agora 8.30. do dia a seguir a ontem. O ambiente do quarto tresanda a Alambique. A Nelinha das Lãs - cega - acredita que eu estou apenas cansado e aquele cheiro a alcool deve ser do perfume esquisito que eu agora uso. Assim que abre a porta solta um grito de morte seguido de réplicas ao ritmo da sua respiração afogante. Acordo com um pulo. A primeira frase que consigo digerir soava a "os lençois, os lençois que desapareceram estão ali, os lençois". Tinha acontecido algo de muito muito estranho. Os lençois, os tais, estavam imaculadamente passados e engomados postos sobre o edredon ao longo das minhas pernas, logo abaixo dos joelhos... Quem os terá lá posto?

(estória real)

3 comentários:

ZM disse...

Estou cá desconfiado que o absinto te está a enferrujar a caixinha dos pirulitos.
Tens tomado as gotas?

Este Sábado estou disponível. Vamos à rocha?

Um abraço.

ZM

Miguel "Teco" Taborda disse...

Isto já é história do aquecedor... Oh David Pedro... francamente!

"Potente pai" disse...

Não foi coisa ruim, mas a propósito de cheiro a ... alambique, recordo um episódio de rua, já lá vão uns anitos.
Mas é bom recordar.
Assistia ao "cortejo dos gasosos" e da boca de um inesperado "gasoso" a afirmação ecoa na avenida: "eis o meu potente pai !"
Se a afirmação não fosse feita num estado tão "gasoso", diria que aquilo foi apenas o lançamento dum boomerang... publicitário !
Mas aceitemos o princípio de que “tal pai ... tal filho...”
E pelo momento em que, devido a inesperado estado gasoso, fui elevado à condição de “potente pai”, lá vai uma poesia de arrebenta:

A PROPÓSITO DE 15 CENTÍMETROS
se a vida for medida ao centímetro
numa média de 75 anos.

De uma geração passada
Ao centímetro me fiz gente
Primeiro não era nada
Logo depois foi dureza
Sentida por homem potente
Cuja medida não pára
De se agitar com firmeza
Dando lugar a esta cara

Ao centímetro medindo a vida
Com vinte me fizeram magala
E já sem barba comprida
Fiz obediência a mandões
E lá tive de bater pala
Vezes sem conta ou medida
Só porque tinham galões
Ou uma farda vestida

Em dois furos da escala
Por Angola eu andei
Mas sempre tive na mala
Para servir a quem gosta
Suave música que dancei
Em terraço ou escura sala
E logo ela se encosta
Na medida que a embala

Mas seja ela qual for
A medida é sempre exacta
Pois em momento de ardor
Nunca o centímetro contou
Nem quando a fome se mata
Alimentando o amor
De quem por nós suspirou
Como um hino de louvor

Uma vida assim medida
De um até setenta e cinco
Não é uma média comprida
Quando se chega a sessenta
E com quinze ainda brinco
De uma forma sentida
Esperando pelos oitenta
C’o mesmo amor pela vida

Agora contai lá vós
A medida que vos falta
Mas ide trincando a noz
Nem que já vos falte o dente
Bem alto dizendo à malta
Que o quinze é bem feroz
Uma medida certa e potente
E capaz de erguer mós