segunda-feira, janeiro 28, 2008

Os Motários e o Modelo de Exploração da Estrela

Um e-mail do Caçula sobre um grupo de parvos (não no sentido elogioso e quase-carinhoso com que muitas vezes uso a palavra; aqui fala-se de parvos/estúpidos à séria) deu-me o empurrão para escrever sobre a Serra da Estrela e espaços dentro do género.

Do blog estrelanoseumelhor.blogspot.com saquei a imagem abaixo e li um relato que não pude ignorar. Nesse relato o amigo (ou amiga) que escreveu o post fala dos espécimens que teve o azar de apanhar no Covão da Ametade: ordas e ordas de pategos motoqueiros. Pûs-me a pensar até onde chegará a estupidez dos responsáveis daquele Parque Natural e fiquei assustado.




Alguém se importa de explicar os tipos o que é Património Natural?????!!!!!! Que génio de merda autorizou os Motores e Rátéres? Alguém consegue ver neste tipo de presença uma mais valia para o espaço envolvente??!!! Não chegavam os assadores tipo mausuleu agora chamaram os Rátéres para o Covão. O que é que se segue? Uma discoteca puti-dancing e poiso para camionistas? Alguém valha à Serra.

Eu penso, penso, penso e não chego lá. Não consigo compreender o projecto de exploração deste Santuário Natural. Sim, há que ter a noção que apesar de tudo a Serra é única. Aquilo não é alta montanha mas sempre é o mais próximo que temos... Estabelecendo aqui um paralelo eu pergunto: cabe na cabeça de alguém fazer uma gincana de Motos Quatro dentro do Mosteiro dos Jerónimos?! Não, claro que não! E fazer um Casino lá num Claustro?! E fazer uma auto-estrada com túnel e parque de estacionamento subterrâneo?! E um centro-comercial?! NÃO! NÃO! NÃO! Então porque raio o fazem na Estrela?!

Já são alguns os espaços naturais que conheço e este modelo de exploração eu não vejo nem no terceiro mundo. Valorizar um espaço não é fazer uma estrada de alcatrão até ele, não é fazer um centro comercial, não é destruir milhões e milhões de metros cúbicos de rocha, com outros tanto milhões de anos, para fazer estâncias de ski. Isso só serve os interesses dos pobres de espírito.

Em qualquer ponto do globo (menos em Portugal) as pessoas sabem que se vão para uma área de património natural deixam o carro na perifería e progridem usando meios não poluentes ou então com os meios públicos. É isto que acontece nos Alpes ou Pirinéus, e sabem qual é o resultado? As montanhas estão cheias de famílias a caminhar ou a andar de bicicleta. É seguro andar-se por lá. Há rotas de passeio para todos os níveis, bem vigiadas e seguras. Há refúgios interessantes (daqueles que fazem os miúdos sonhar, sabem?), há pessoas que cuidam do seu lixo, que cuidam do chão que pisam, que estimam o que os rodeia, que dão valor ao património natural, há produtos regionais (um tudo-nada diferentes dos Doces da Estrela fabricados em Santa Iria da Azóia).

A consequência de tudo isto é tristemente simples. Quando não se conhece, quando não se vive, também não se valoriza, não se estima... É talvez por isso que o urbano-depressivo (e atenção que também os há na província) se está borrifando para o que ardeu, ou para o que deu lugar ao betão. Ele não conhece, e também.... desde que o Colombo fique no mesmo sítio, o Benfica passe na TVI e ele possa lavar o carro no elefante azul então Porreiro pah! Com um pouco de sorte ainda se vai à Estrela fazer scú e plantar um saco de plástico...

Poderia dizer muito mais... mas falta-me solidez de escrita para, de forma clara, deixar aqui a minha opinião. Apesar disso, deixo aqui uma última sugestão para os 'amigos' que deram origem a este post: METAM O ESCAPE PELO BUEIRO ACIMA E EXACERBEM O PUNHO COMO SENAO HOUVESSE AMANHÃ!!!

2 comentários:

Pat disse...

Irra que o homem está louco!!! Não pára o piqueno!
Vai na raça amigo! Não tarda é a maratona, há que colocar os alvéolos pulmunares a funcionar como deve ser.

Pat disse...
Este comentário foi removido pelo autor.