terça-feira, janeiro 29, 2008

The Ramona

Mudando um pouco o assunto.
Há malta que tem cães. Eu não tenho. Mas tenho outra fiel companheira: a Ramona!
Trata-se de um verdadeiro bólide, uma pérola da engenharia japonesa, uma joia, um relógio suiço. Enfim, um matchibombo daqueles com todos os matadores.



Desde que conheceu a luz, em 1981, a Ramona foi conhecendo diferentes estádios de evolução. Primeiro foi branca, depois o Ti Alvinho fez-lhe um penteado cheio de cenário: cinzento.

Abro aqui um parentesis para dizer que pintei a minha bike de então na mesma côr, tipo para condizer... Questões de estilo. Assim parecia alumínio, parecia...

Entretanto a Ramona ganhou cabelos brancos e está toda a condizer. Já teve uma fase em que foi uma auto-caravana, transportando dentro de si móveis feitos pela pachorra do Ti Alvinho.
Todo o clã Vaz já curtiu milhões com este bólide e tem mais que muitas histórias para contar.

Antigamente, quando eu media menos de metro e meio e não havia segurança rodoviária, viajávamos sempre deitados numas placas que dividiam a zona de carga em dois nívies. Assim passávamos o tempo todo deitados a olhar para trás e a meter ranço ao condutor que seguia atrás de nós. A Ramona ainda se deve lembrar de uma vez - na sua juventude - que fomos para Marrocos e no regresso, em Ceuta, nos assaltaram e gamaram 200 contos de reis ao meu pai (Ti Alvinho, para quem ainda não conheça a terminologia da casa) que era suposto servirem para comprar uma cambra de vídeo. Até eu tive pena, imagino ele...

Outra vez, andava o Ti Alvinho a fazer campanha por um partido de esquerda liderado por um senhor da tropa que parecia ter engulido uma vassoura, quando se esqueceu (teria já aviado uns pirolitos?!) que trazia em cima da Ramona uma grade e duas cornetas daquelas bem grandes. Iamos a passar sob o túnel da nossa rua e eu, providente desde muito novo, disse: "Olha lá oh Alvaro, que isto não passa..." e ele "oh David se sempre passou porque raio não há-de passar hoje?" e eu "Porque hoje trazes lá as...." CCCCRRRRRÁÁÁÁÁÁÁ riscou-me a moleirinha à pobre Ramona, amolgou as colunas e sei lá mais o quê! E eu: "... cornetas...."

As últimas excursões à séria da Ramona já foram sob o meu Reinado. Máquina infernal que me encheu sempre de orgulho. Dona de uma personalidade férrea, a Ramona não ficou a dever nada aos Ferraris com que se picou no túnel do Mónaco! Ainda me lembro de, no Tour de France 2005, o Lance Armstrong passar por ela de bike e acenar (em rigor ele fez uma pose de prostração perante uma sumidade) cheio de orgulho de estar na mesma estrada que ela.
A Ramona nunca deixou ninguém indiferente.

Senão veja-se:
- Entra a Ramona em Salluzzo, Itália, e quem está à espera dela? Os Caribinnieri de metralhadoras em riste. Medo... podiam trazer terroristas!

- Pergunta um checo-turco qualquer no meio dos Alpes: "Então e vocês vieram de avião e cá tinha essa carrinha, certo?". Borges: "Não catano! Viemos assim desde o Fundão!" Checo-Turco, em checo-turquês: "dassss"

- Na zona de Cadaqués, a gaja até já tinha um estacionamento privativo de fronte para a casa de verão do outro meco do bigode, o coise, o Dáli.

Muito mais havia a contar mas fico-me por aqui que isto já vai longo! Deixo uns kodaks em jeito de (merecidíssima) homenagem.




5 comentários:

Sérgio Leal disse...

isso que é a verdadeira maquina :)
e tu continuas a dormir a segura-los... tens medo que tos caiam?
hahahahaha

Mendonça disse...

Belo Verão em Barcelona e tal! Nunca nos deixou ficar apeados...ou quase!Só teimou não arrancar duas vezes, mas isso era ela a fazer ronha...Mas agora até fiquei apreensivo.Esta foi uma homenagem em vida, ou coise e tal e já não mexe?
Abraço à Ramona/Carmona, como foi baptizada nesse célebre Verão!

Mónica disse...

Ramona é nome chique para "pão de forma"...? :D

dvaz disse...

Mendonça: se mexe?! está plena de capacidade! No outro dia fez lá uma perneta com o meu pai, mas isso foi amuo de velho. Passou e tem mexido quase todos os dias!! É portanto uma homenagem em vida. Confirmadíssimo!!

Mónica: Ela não é bem pão-de-forma. É do género vá, mas de sangue japonês... pode dizer-se que é honrada como um samurai! :-)

Sara Lambelho disse...

Eu tenho algo a acrescentar ... va.

Na noite da partida para essa belissima aventura por terras espanholas, foi o meu Renault 18 de 1989 que lhe fez assim como que uma transfusao de energia porque a piquena nao pegava. Tenho dito.

A Ramona eh uma fofa, sem duvida. APesar de nunca ter desbundado dela.

Beija gorda, Amizade.

Andas a blogar bueee man!
:o)